
Obras da Rio de Janeiro, no Centro da capital mineira, são entregues com uma novidade: caixas de som que reproduzem o canto de pássaros, criando um ambiente relaxante em meio ao barulho da cidade
Fábio Fabrini - Estado de Minas
Fábio Fabrini - Estado de Minas
Maria Tereza Correia/Estado de Minas
Primeira rua modelo em acessibilidade, as calçadas foram alargadas e ganharam nova iluminação
Quem passava até essa quinta-feira pelo Centro de Belo Horizonte pensava que eles estavam em extinção. Na Cidade Jardim do século 21, é quase inimaginável pensar que qualquer passarinho fosse procurar abrigo em meio à barulheira e à poluição da região. O que os transeuntes da Rua Rio de Janeiro escutam não é um sinal de que algum deles mudou de idéia, mas uma novidade lançada pela prefeitura, que inaugurou, pela manhã, as obras de requalificação da via, entre a Rua dos Tamoios e a Avenida Augusto de Lima. Por todo o trecho, foram instaladas caixas de som que reproduzem o canto desses ilustres e bem-vindos moradores. A Rio de Janeiro é, agora, a primeira rua modelo de acessibilidade da capital. Para conforto dos pedestres, as calçadas foram alargadas para 5 ou 7 metros, ganharam nova iluminação, jardins e bancos que favorecem a convivência e o bate-papo entre as pessoas. Uma faixa de 1,20m, livre de obstáculos, facilita a passagem de cadeirantes. Os deficientes visuais ganharam piso podotátil, que os orienta na caminhada. É por eles, principalmente, que os passarinhos voltaram. O leve piar das caixas de som permite que os deficientes visuais saibam exatamente onde estão e criem uma memória auditiva do lugar. Em alguns meses, vão poder, também, sentir o cheiro das magnólias, o que facilita mais sua localização na cidade. Como foram plantadas recentemente e ainda estão pequenas, seu aroma ainda não é sentido. Para introduzir a novidade, técnicos da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas se inspiraram em pesquisa feita pela Universidade de Sheffield, do Reino Unido. O estudo diz que não só o nível, mas a qualidade do som instalado em áreas públicas afeta a experiência que os freqüentadores têm de algum local. Além de uma ajuda providencial para os cegos, o som baixinho e agradável das espécies, que em alguns momentos perde para o dos vendedores de loterias e lojas de discos, é um incentivo ao relaxamento para quem passa pelo Centro, segundo a arquiteta e consultora técnica da secretaria, Maria Caldas. A escolha das melodias foi feita numa pesquisa com comerciantes e pedestres, que disseram ser o canto dos passarinhos o mais aprazível dos sons. Para não virarem tormento, as caixas funcionam por seis minutos e param durante 12. À noite, são automaticamente desligadas. Maria Caldas explica que, dependendo da aceitação da população, a idéia vai pousar em outras áreas da capital, como o entorno do Mercado Central e a Avenida Amazonas, que em breve vão ser revitalizadas. De onde vem o som? Quem ouviu gostou. Quem não ouviu escutou comentários e procurou se familiarizar com os alto-falantes. Logo depois da solenidade de inauguração, que teve a presença do prefeito Fernando Pimentel (PT), muita gente já se perguntava que barulho era aquele. No alto das árvores, nada se via. Ao chão, menos ainda, porque os aparelhos foram instalados em caixas subterrâneas, cobertas de metal. A massoterapeuta Adriana Leite, de 34 anos, ficou horas tentando descobrir onde estavam os pássaros. No início da tarde, dava voltas sobre uma das caixas, olhando para o céu, até que um repórter trouxe a solução para o enigma. “Trabalho por aqui e estava agoniada por não saber de onde vinha o som. Primeiro, pensei que fosse alarme de carro, mas alarme não tem melodia. Depois, fiquei procurando ninho, mas não achei. O som é muito gostoso, fiquei bem tranqüila, bem zen”, disse, agradecida pela idéia.
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Esse projeto centro vivo da prefeitura ,na minha opinião é um dos melhores projetos que está em funcionamento. Sem contar que realmente está ocorrendo a revitalização de áreas antes degradadas como : Praça 7, Praça da estação e hiper centro. Parabéns para nós Belohorizontinos!