sexta-feira, 26 de outubro de 2007


Obras da Rio de Janeiro, no Centro da capital mineira, são entregues com uma novidade: caixas de som que reproduzem o canto de pássaros, criando um ambiente relaxante em meio ao barulho da cidade
Fábio Fabrini - Estado de Minas




Maria Tereza Correia/Estado de Minas
Primeira rua modelo em acessibilidade, as calçadas foram alargadas e ganharam nova iluminação
Quem passava até essa quinta-feira pelo Centro de Belo Horizonte pensava que eles estavam em extinção. Na Cidade Jardim do século 21, é quase inimaginável pensar que qualquer passarinho fosse procurar abrigo em meio à barulheira e à poluição da região. O que os transeuntes da Rua Rio de Janeiro escutam não é um sinal de que algum deles mudou de idéia, mas uma novidade lançada pela prefeitura, que inaugurou, pela manhã, as obras de requalificação da via, entre a Rua dos Tamoios e a Avenida Augusto de Lima. Por todo o trecho, foram instaladas caixas de som que reproduzem o canto desses ilustres e bem-vindos moradores. A Rio de Janeiro é, agora, a primeira rua modelo de acessibilidade da capital. Para conforto dos pedestres, as calçadas foram alargadas para 5 ou 7 metros, ganharam nova iluminação, jardins e bancos que favorecem a convivência e o bate-papo entre as pessoas. Uma faixa de 1,20m, livre de obstáculos, facilita a passagem de cadeirantes. Os deficientes visuais ganharam piso podotátil, que os orienta na caminhada. É por eles, principalmente, que os passarinhos voltaram. O leve piar das caixas de som permite que os deficientes visuais saibam exatamente onde estão e criem uma memória auditiva do lugar. Em alguns meses, vão poder, também, sentir o cheiro das magnólias, o que facilita mais sua localização na cidade. Como foram plantadas recentemente e ainda estão pequenas, seu aroma ainda não é sentido. Para introduzir a novidade, técnicos da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas se inspiraram em pesquisa feita pela Universidade de Sheffield, do Reino Unido. O estudo diz que não só o nível, mas a qualidade do som instalado em áreas públicas afeta a experiência que os freqüentadores têm de algum local. Além de uma ajuda providencial para os cegos, o som baixinho e agradável das espécies, que em alguns momentos perde para o dos vendedores de loterias e lojas de discos, é um incentivo ao relaxamento para quem passa pelo Centro, segundo a arquiteta e consultora técnica da secretaria, Maria Caldas. A escolha das melodias foi feita numa pesquisa com comerciantes e pedestres, que disseram ser o canto dos passarinhos o mais aprazível dos sons. Para não virarem tormento, as caixas funcionam por seis minutos e param durante 12. À noite, são automaticamente desligadas. Maria Caldas explica que, dependendo da aceitação da população, a idéia vai pousar em outras áreas da capital, como o entorno do Mercado Central e a Avenida Amazonas, que em breve vão ser revitalizadas. De onde vem o som? Quem ouviu gostou. Quem não ouviu escutou comentários e procurou se familiarizar com os alto-falantes. Logo depois da solenidade de inauguração, que teve a presença do prefeito Fernando Pimentel (PT), muita gente já se perguntava que barulho era aquele. No alto das árvores, nada se via. Ao chão, menos ainda, porque os aparelhos foram instalados em caixas subterrâneas, cobertas de metal. A massoterapeuta Adriana Leite, de 34 anos, ficou horas tentando descobrir onde estavam os pássaros. No início da tarde, dava voltas sobre uma das caixas, olhando para o céu, até que um repórter trouxe a solução para o enigma. “Trabalho por aqui e estava agoniada por não saber de onde vinha o som. Primeiro, pensei que fosse alarme de carro, mas alarme não tem melodia. Depois, fiquei procurando ninho, mas não achei. O som é muito gostoso, fiquei bem tranqüila, bem zen”, disse, agradecida pela idéia.
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Esse projeto centro vivo da prefeitura ,na minha opinião é um dos melhores projetos que está em funcionamento. Sem contar que realmente está ocorrendo a revitalização de áreas antes degradadas como : Praça 7, Praça da estação e hiper centro. Parabéns para nós Belohorizontinos!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Esse é o caminho?? :-(

As duas faces do Amor *Giselli Souza é nova jornalista do Psyte e não perde um show do Chemical Brothers por nada nesse mundo.
A chegada da música eletrônica às massas trouxe consigo não só a evolução da cena – boa para uns, odiada por outros - mas também a popularização do novo combustível da noite: o ecstasy.Com um cenário totalmente a favor, como lugares e músicas alucinantes, distantes dos centros urbanos e livre das paredes dos clubs, as raves são palco de fantasias, onde a ordem é enfiar o pé na jaca e curtir, curtir até o sol nascer, até o próximo set, até aquele DJ que todo mundo diz que é “tudooo”, mesmo que o relógio indique 5 da tarde de domingo. Neste embalo surgiram os primeiros chill-outs *, em meados dos anos 80, em Londres. O motivo era o mais lógico possível: relaxar e esperar passar o finalzinho do efeito das drogas (o chamado comedown). Anos mais tarde, mais precisamente em 1992, o DJ e produtor Alex S. contribui para a organização da primeira rave no Brasil, que contou com nomes de peso como Moby(lembrando que há quem diga que esta informação não é verdadeira).Comparada a cena punk/rock dos anos 70 e 80,onde a cocaína tinha tudo a ver com pancadaria, a cena eletrônica tem uma cara mais saudável e alegre de ser. Garrafinhas de água voando e desfile de óculos escuros escondem os rostos da nova geração que desembolsa até R$ 50,00 por uma “pastilha”, em troca de umas horas de alegria e prazer. Segundo dados recentes da ONU (Organização das Nações Unidas) o consumo de ecstasy cresceu 70% entre 1995 e 2001 no mundo inteiro, coincidentemente o período de explosão das raves. Os resultados ainda não são tão catastróficos, uma vez que tudo ainda é muito recente. Porém, há quem afirme que a viagem não é só alegria.N. de 24 anos frequenta a cena eletrônica há três. Durante a adolescência, N. afirma ter experimentado algumas drogas e não ter gostado de nenhuma: “O pessoal que eu andava já fumava maconha e um dia eu resolvi experimentar. Não gostei e continuei só na bebida, que desde muito cedo sempre curti.“ O tempo passou e um dia N. foi apresentada ao ecstasy: “Foi paixão à primeira vista. Nunca tive coragem de cheirar cocaína pois tinha aflição de imaginar algo entrando pelo meu nariz. Porém, no final já estava moendo as pastilhas e cheirando para ver se dava mais efeito. Isso sem falar no álcool que eu passei a consumir cada vez mais...“. Sempre embalada ao som de Chris Liberator e frequentadora assídua das festas de techno, N. começou a perceber que a "balinha" estava aos poucos destruindo a sua vida: “Minha vida girava em torno dos finais de semana que eu ia nas raves. Todos os meus amigos usavam e continuavam a tocar a vida. Eu, no entanto, comecei a ficar depressiva e negligente no meu trabalho. No dia seguinte, quando eu acordava, tinha vontade de morrer. Nada parecia ter mais sentido.“Felizmente depois de uma tentativa de suicídio, N. encontrou saída em um grupo de Narcóticos Anônimos. Desde então, vem se mantendo sem drogas há 10 meses: “Era uma quarta-feira de cinzas, em pleno final do carnaval. Já tinha tentado inúmeras vezes parar e não conseguia sucesso. Foi então que eu procurei ajuda em uma sala de Narcóticos Anônimos e minha vida deu um salto. Por causa das drogas, perdi minha auto-estima. Hoje, em recuperação, percebo o quanto os meus sonhos, de ter uma família, ser uma boa profissional, estavam distantes. Era como eu vivesse em um mundo de ilusão e de repente ter acordado em um pesadelo.“N. no entanto, continua ouvindo eletrônico, só que em casa: “Resolvi dar um tempo nas raves, ainda mais que como estou desempregada, vivo sem grana. Mas não deixei de amar o eletrônico e no final do ano, quando completar 10 meses limpa, vou na SP Groove. Apesar de saber que vou ver muita gente usando droga, sei que eu não posso. Já perdi muito tempo da minha vida querendo ser aquilo que eu não sou. Hoje tenho a possibilidade de ser livre para ser eu mesma.“Pode parecer que não, mas N. teve muita sorte. Isso porque somente no ano passado, 72 pessoas morreram na Grã-Betanha* depois de tomar ecstasy. O motivo é a desidratação e hipertermia (grande aumento da temperatura do corpo). No Brasil, os dados ainda são pequenos e muito vulneráveis uma vez que grande parte dos usuários é de classe média-alta, o que acaba dificultando na divulgação das mortes.A polícia no entanto, está de olhos bem abertos em todo o mundo. Neste último verão em Ibiza foram proibidas as festas ao ar livre, sendo restritas novamente aos clubs. Em Florianópolis, o governo estadual decidiu proibir a realização de festas raves no ano passado. O motivo era a falta de segurança e o uso de drogas ilícitas. O dj e booker do club Ibiza, Fernando Bastiani, mais conhecido como "Ifi", afirma que apesar da proibiçao ter sido por uma boa causa, a medida causou um verdadeiro choque na cena eletrônica em Balneário Camburiú: “Na última grande festa antes da lei entrar, teve furto de carros (tanto que chegaram a roubar as rodas de um carro), arrastão e apreensão de uns 1000 unidades de ecstasy com dois rapazes que estavam indo pra festa. Eu achei certo o governo tomar uma atitude. O povo estava se jogando demais e rolavam várias privates sem a mínima estrutura. Até para fazer uma festa pequena era proibido. Na época as reportagens que saíam nos jornais eram que todos que vão em rave tomam ecstasy. A saída foi apostar nas festas indoor, nos clubs. A sorte é que deu certo e vários clubs que não tocavam eletrônico, aderiram à cena.“Segundo Ifi, a retomada mesmo se deu na metade deste ano com o anúncio de grandes núcleos voltando à região. Para ele, a conscientização da população, que passou a ver a cena de outra maneira (nao só como um antro), também ajudou. “Depois da proibição saiu uma matéria super completa na imprensa explicando os reais motivos do impasse. Eu particularmente acho que cada um é cada um. Eu prefiro tomar uma cerveja e ficar de boa. Acho que o grande lance é saber se você está indo para uma festa, porque gosta, para ver tal dj, ou se você tá indo por causa das drogas“, afirma Ifi.Outro dj bastante conhecido no sul, Sandro Moura, mais conhecido como Dj Sandrinho, completa: “O futuro da cena no sul é brilhante mas esse negócio de drogas é uma mancha negra que temos que frear. A polícia também está errada de proibir porque aí tudo que é proibido é mais gostoso. A sacada está em pegar os traficantes que vão às festas fazer o deles, destruindo vidas e a nossa cena.“Em São Paulo, na última parada AME, um adolescente de 19 anos morreu afogado no Parque do Ibirapuera. Como a própria sigla diz, “Os amigos da Música Eletrônica”, decidiram criar a campanha “Sem Noção”, que visa conscientizar os jovens do consumo abusivo de álcool em clubes e festas de São Paulo. Além disso, a organização já está procurando meios de discutir com autoridades de diferentes áreas a questão drogas X e-music.Com tudo isso, vale a pena refletir nos rumos que a música eletrônica vem dando ao longo dos anos, bem como no real significado das raves. Desta forma, talvez consigamos debater de forma séria ao invés de fechar os olhos não só para a problemática das drogas, como também para o futuro da cena. · Segundo dados da ONU, a Europa lidera no número de usuários de ecstasy. Somente na Grã-Betanha, dois milhões de ecstasys são consumidos semanalmente.· O ecstasy é conhecido mundialmente como a “pílula do amor”, devido as sensações de paz e alegria que causa nos usuários.

Trance não é o novo Rock and Roll!! COMO EU QUERIA Q ISSO FOSSE VERDADE!!

23/01/2004 Trance não é o novo Rock and RollBruno Camargo aka Carbon23 é DJ profissional, produtor por hobbie e advogado por necessidade em São Paulo. Acha que famoso mesmo é o Pelé, é devoto de Santa Ignorância e às vezes acorda com o pé esquerdo, mas não perde o groove.carbon23@chaishop.comAgradecimentos à DJ Yaniv – Hadshot Haheizar Records.
Aqueles que olham de fora para a cena trance (trance, psytrance, full-on, progressivo, trance-que-parece-house, trance-que-parece-techno) poderiam dizer “Uau! Olha quanta gente, quantos artistas, selos, festas! Isso deve dar fama e rios de dinheiro!”.Estão enganados!A verdade sobre a cena trance é que é tão pequena que quase ninguém a conhece – em outras palavras, se você procurar nas Páginas Amarelas você não vai encontrar o “telefone da cena trance”. Se você parar alguém na rua (com exceção de alguns lugares de Israel, Londres, Goa ou Hamburgo) e perguntar quem é Infected Mushroom, Hallucinogen ou qualquer outro artista que você considere“Top”, as chances que esta outra pessoa conheça este nome é altamente remota.Esse são os fatos, amantes do Trance: seus heróis não são ninguém! A música é desconhecida, não é tocada na TV, nos radios, e não é comentada em publicações internacionais especializadas! Quando um A&R (Artistas e Repertório) de uma grande gravadora recebe uma demo de qualquer projeto que é recordista de vendas da cena Trance (algo em torno de 10.000 cópias vendidas) provavelmente será jogado no lixo, porque nada que venda menos de 75.000 cópias sequer é cogitado. Muito bem, quem disse que precisamos das “grandes”? 10 anos atrás isso era simples, porque havia apenas um distribuidor, 5 selos, 20 artistas e 10.000 pessoas procurando por esse tipo de música. Hoje temos cerca de 10 distribuidores internacionais para mais de 50 selos, mais de 500 artistas conhecidos….e menos de 10.000 pessoas que pretendem gastar algum dinheiro comprando essa música.Em um ambiente que exige novas músicas todos os dias, não há como se esperar grandes vendas e sets inovadores, DJs criativos e com flexibilidade artística – não apenas “divulgadores de marca”, tocando música fácil para agradar um público que na maioria das vezes precisa ainda de muito conteúdo musical. Em um ambiente que qualquer um que tenha um computador e alguns softwares pode fazer ou tocar música, não se pode esperar qualidade constante. Em um ambiente onde “malucos-beleza” e “garotada pilhada” fazem negócios, não se pode esperar ausência de “panelismos”, cumprimento de datas e contabilidade adequada. Em um ambiente onde todos querem fazer parte da “máquina” só se pode esperar que logo mais a cena Trance será engolida por si mesma, porque não será capaz de sustentar a si própria.Claro que a solução não está apenas na retórica ou na crítica publicada na internet. É preciso ação por parte de organizadores e empreendedores cheios de boa intenção mas sem noção de contabilidade; por parte de novos e velhos artistas em deixar o estrelismo de lado e se preocupar mais com conteúdo do que com o rótulo; por parte do público que sabe fazer suas reinvidicações tão bem quando a cerveja custa mais que R$ 3,00 em uma festa mas que se comporta na maior parte do tempo seguindo modismos e futilidades.Seria um disperdício de talento e de anos de trabalho ver o Trance sucumbir ao próprio deslumbre, como aconteceu várias vezes em movimentos muito mais fortes, quantitativa e qualitativamente falando. Algumas sugestões para essa mudança:1. Os artistas deveriam gastar mais tempo na produção de cada faixa ao invés repetir um mesmo protótipo. Isso educa o público iniciante, mostra novos caminhos aos veteranos e solidifica o estilo dentro de um parâmetro musical e não apenas de “bombação” burra. Os DJs deveriam pesquisar mais músicas, inovar sua idéia de discotecagem, ouvir outras coisas que não Trance (e trazer algumas delas para seus sets) e assumir – ou aprender - de uma vez por todas, que bons DJs não são aqueles que tocam o que a pista QUER e sim o que a pista PRECISA.2. Sem prejuízo do incentivo a novos talentos (o que é sempre legal), organizadores deveriam observar os DJs que contratam, verificando o background artístico e o trabalho que já fizeram na cena. Decidir line up de festas em função de amizade ou mesmo de caches “econômicos” é devastador e transformaria as lindas festas trance em baladas 100% comerciais em pouco tempo – e provavelmente ninguém vai notar. Não confunda “viabilidade econômica” com marketing tipo “Show da Xuxa” – há um meio termo bem interessante e que vale a pena ser buscado com afinco.3. Parte do público ou tem memória curta, ou se recusa a aprender. Vi algumas ações em foruns na internet para divulgar nomes de organizadores das festas ou festas que pisaram na bola, isso é ótimo – mas ainda não é o suficiente! Não basta apenas ter memória, mas também ficar esperto com “super festas” com line ups “Top stars de Shan-gri-la”, toboáguas, piscina de bolinhas e Mc Donald’s – e normalmente basta um nome famoso (e gringo, claro) no line up pra galera sair correndo pra “ver o fulano” e depois choramingar de pista com lama, CDs riscados, mixagens ruins, “lives” sem nenhuma produção prévia, carros roubados, etc etc etc. A cultura Pop não combina com o Trance justamente pelas razões de números citados acima – então, que tal entender a coisa pelo lado mais prático e menos “glamouroso”? E, claro, ninguém vai morrer de fome se vez ou outra comprar os originais de algumas de suas músicas…Por fim, desejo a todos um ótimo 2004 – e que todos que trabalham e gostam de boa música eletrônica possam ter algo do que se orgulhar ao final do ano!

O início em BH

Crescimento da cena trance em BHMel Pimenta, dj mineira de chill out e lounge!melzinhapsy@hotmail.com
Em 8 de abril de 1999 ocorre a primeira festa trance em Belo Horizonte, a Rave Trance. Ciano e Cels (Antiga organização da Psicotrance) são os responsáveis pela realização do evento que vai inserir uma nova cultura musical na cidade. Em 2000 surge a Psicotrance onde Ciano, Gui, e Cels são os integrantes. Desde então, vários outros organizadores de festas foram surgindo, djs, projetos, decoradores, enfim, tudo que se precisa para fazer festas raves de boa qualidade para um público cada vez maior ao longo dos anos.Depois da Psicotrance vários outros núcleos foram surgindo e realizando eventos do mesmo estilo, entre eles, a Kalki e a Soma eram responsáveis por eventos de qualidade e grande público, sendo que a Soma é o único núcleo que mantém a sua formação inicial atualmente, tanto de artistas quanto organizadores, realizam uma festa anual desde o ano 2000. A Psicotrance chegou ao terceiro ano da festa mantendo a sua formação original, mas depois desintegrou -se dando origem a outros núcleos.Atualmente alguns dos responsáveis pela realização dos eventos são:- Chakra Dance- Spectral Moon- Psicotrance (com outra formação)- Soma- Quântica- Trance Movement- Connection BHExistem também organizadores que não fazem parte propriamente de núcleos, mas participam da organização dos eventos. O último núcleo a realizar um evento foi a Connection BH (Paulo Gio) e teve uma ótima apresentação, a festa contou com um line-up diversificado e excelente infra-estrutura e local.Os locais das festas em BH são os mais variados possível, vão de pequenos e grandes clubes à espaços afastados nas redondezas da cidade próximo á cachoeiras e natureza. Alguns dos clubes mais famosos que ocorreram foram:- Psicotrance Club- Urbana (onde era realizado semanalmente festas da Quântica Rec.)- Bom.B.A. R- Club-e- Psycho Pub- Bar do VaváAgora que já sabemos um pouco sobre o histórico dos eventos vamos saber um pouco mais sobre os djs, projetos e pessoas que trabalham de alguma forma contribuindo para o crescimento da cena de Belo Horizonte.Os djs:- Ciano, Cels, Gui e Android, alguns dos pioneiros, djs de fullon bastante reconhecidos pelo público.- Fred, Pin e Prestor (Soma), djs também de fullon do grupo Soma, aparecem freqüentemente nos line-ups.- Ló (Soma) e Marcelinha(WFC), as mulheres djs que vem conquistando seu espaço entre os homens e provando que podem ser boas tanto quanto, senão melhor que os homens. Ló, é dj de progressivo. Marcelinha toca dark full-on e já possui um público considerável.- Bishop, Zaidan, Aurélio, Rodolfo e Thor são alguns dos outros djs que também estão conquistando seu espaço e são frequentes nos line ups.- Fred, Rico, Neri, Ló, Gomide (todos da Soma), P.A, Mel, Goswami e Cels, todos djs de Chill Out. Esses profissionais não eram tão valorizados, mas ultimamente são mais frequentes nas festas e possuem um público considerável.Os Projetos: - Analogic- Projeto 33- EternoxAnalogic e Projeto 33 são produtores de full-on groove e já se apresentam em diversas festas em todo o país.A maioria das decorações dos clubes e festas ficam por conta da Space Devas, grupo que faz a decoração da EarthDance (MG). Agora que conhecemos um pouco mais da cena em BH, sabemos o motivo do seu crescimento notável nos últimos tempos em todos os sentidos.




MATÉRIA MUITO BOA MAS ANTIGA!

Dançar em transe

Depois da minha oficina sobre a dança trance no início do “The Gathering of the Tribes”, em Frankfurt, Roberdo pediu que eu escrevesse um artigo para o Chaishop.com sobre a dança trance. Pensando nisso por um longo tempo, eu decidi tentar escrever sobre minha própria perspectiva. Trance é um assunto difícil de escrever, é algo muito controverso. Os estados de transe são não-racionais, então fica difícil ser racional para descrever. Entretanto, estes são alguns dos meus pensamentos sobre o estados de inconsciência.Nós gastamos muito tempo de nossas vidas pensando, planejando, falando, lendo – sendo racionais. Mesmo quando tiramos um tempo para nós, a tendência é preenchê-lo com atividades racionais, que estão dentro da escala de freqüência beta. O cérebro é como se fosse um músculo complexo. Às vezes é preciso exercitá-lo, assim como também existem várias formas de descanso, pois o sono sozinho não é o bastante.Durante o sono, nossas freqüências cerebrais flutuam entre o sono profundo (delta) e o sonhar (theta), com períodos de REM (movimentação rápida dos olhos). Isso é algo natural, um processo inconsciente vital para nossa sobrevivência. Estudos indicam que a qualidade do sono afeta seriamente a saúde. Quando estamos acordados, determinamos de maneira consciente nosso estado mental de acordo com o que estamos fazendo.Na maior parte do tempo somos limitados, condicionados a uma sociedade competitiva, dentro da freqüência beta. Precisamos de uma pausa, um período sem concentração e racionalidade. Uma necessidade de experimentar estados de transe ou êxtase em nossas vidas, como um equilíbrio para todos estes pensamentos.Existem diversas maneiras de induzir os estados de consciência trance, que mudam as freqüências predominantes beta, para o alfa relaxado, intuitivo, ou até mesmo freqüências theta, associadas ao sonhar e o transe profundo. A meditação, mantras, hipnose, exercícios de respiração e sexo tântrico, são algumas formas que os seres humanos desenvolveram com o passar do tempo, mas talvez o mais antigo deles seja a dança trance.Em muitas sociedades primitivas, os rituais de dança eram de grande importância e foram extensivamente praticados. Tenho certeza que muitas destas tradições antigas se perderam, mas algumas ainda estão entre nós. Os Sun ou Bushmen, da África do Sul, continuam dançando regularmente em êxtase. Os Masai, no Kenya, o Bwiti de Gabon, o Gnawa do Marrocos e o Sangomas, da África do Sul, todos praticam a dança ritualística do trance. Entretanto, a pratica não é restrita a África. Os aborígines australianos, Sufis, os Druidas, os xamãs siberianos, os povos nativos da América do Norte e do Sul, todos praticam de alguma forma a dança ou transe induzido. Mesmo na Europa moderna, as tradições ainda sobrevivem. Entre elas estão a tarantela, na Itália, o flamenco espanhol, além das raízes Celtas.Para mim, a busca do êxtase, de uma ruptura no tédio da sobrevivência cotidiana, tem conduzido muitas pessoas da nova geração desta sociedade moderna e industrial, de volta à dança trance. Certamente não é nenhuma coincidência que a droga mais associada a esta cultura seja o ecstasy. Vinte anos atrás, dificilmente ouvia-se alguém falando sobre as festas de house, mesmo no local onde começaram, em Chicago. Num curto espaço de tempo a cultura eletrônica se espalhou pelo mundo inteiro com as raves, as festas de techno e Goa. Utilizando a tecnologia moderna, a nova geração está recriando um espaço em suas vidas para o transe e o êxtase, com ou sem drogas.Nesta idade de informação e comunicação virtualmente ilimitada, a experiência de nossos antepassados, possivelmente da idade da pedra, está nos incitando a dançar o trance. Não é somente na cultura da dança que nós encontramos uma renovação deste interesse no transe. Muitas pessoas já escreveram sobre ele, como Felicitas Goodman, Gabrielle Roth e Frank Natale. Existem muitos sites que falam sobre a dança repetitiva, principalmente nos EUA, com informações e eventos de todos os tipos.Então o que é dançar em transe (trance)? Como podemos atingir o êxtase e o que isso traz de bom para mim? Estou descrevendo aqui apenas minhas experiências e observações pessoais.Quando eu estou em estado de transe, eu não penso sobre como fazer qualquer coisa ou o que eu posso fazer. Eu sou a ação. Assim, se eu estiver dançando, eu sou a dança. É complicado expressar. Os pensamentos, os sentimentos e sensações vêm e vão; cintilam através de minha mente e corpo como luzes que me acompanham na dança. Meus limites dissolvem-se e eu perco meu senso próprio - uma gota d’agua que cai no oceano, passa a fazer parte de tudo. O “Eu” fica minúsculo, separado e derrete no infinito, compreendo o “Nós”. O tempo torna-se elástico. Este é às vezes estático, quando não meditativo e tranqüilo. Dançar é minha meditação, minha passagem para um estado alterado de consciência que eu necessito tanto quanto pensar e funcionar como indivíduo na sociedade.Os tipos de experiências variam de leve a muito intensa. Eu posso entrar em transe leve observando minhas mãos, a maneira como elas trabalham individualmente. É um bom método de transformar um trabalho tedioso em algo divertido, mas para mim a dança trance é a mais legal de todas. É algo saudável e que rejuvenesce. Entrar regularmente em estado de transe através da dança reduz minhas tendência a irritabilidade e depressão.Eu não sou jovem, nasci em 1949 e escrevo isso em 2007, estou quase nos sessenta. Nunca velho de mais para dançar. A nova geração do trance e suas festas merecem meu agradecimento. Fizeram o possível para que eu aprecie minha paixão por dançar o trance, uma proporção que era inimaginável antes da chegada da música eletrônica, pelo menos em Berlim, onde vivo. Não existem muitos xamãs que praticam rituais antigos do trance aqui, e é longe do Kalahari, onde os restos do San ainda vivem e dançam. Os concertos que fui nos anos 60, 70 e 80, não eram ideais para dançar em transe.Aqui em Berlim eu posso dançar todos os finais de semana, esta música que eu aprendi a amar com pessoas que geralmente são mais novas do que meu filho mais velho. Essas pessoas sempre me dão boas vindas, apesar da minha cara de mais velho. Eles se divertem ao me ver dançando com minha filha de 22 anos. Infelizmente estou cada vez mais preocupado com estes belos jovens.Parece-me que o consumo das drogas aumentou continuamente desde os anos 90, quando eu fui a minha primeira festa techno. As drogas sempre foram associadas a cena eletrônica. Aqui nós encontramos uma outra similaridade com rituais antigos, xamãs do trance, onde substâncias como a cannabis, o psilocybin, o peyote, a ayahuasca, a datura, a iboga e a amanita muscaria, são usadas regularmente para abrir as portas da percepção e induzir estados alterados de consciência. Os xamãs, entretanto, tratavam estas plantas com um enorme respeito. Atualmente, além de uma dosagem elevada, estão misturando todos os tipos de drogas, por exemplo: cocaína com álcool. Doses elevadas destas drogas antagônicas podem produzir um cocktail muito perigoso.Praticando técnicas que são simples de aprender, é possível dançar em transe com pouca, ou nenhuma ajuda das drogas. Estas técnicas incluem abstrair o pensamento e a visão, movimentos ritmados. Junto com a sobrecarga sensorial da música apropriada, com volume elevado, as luzes e o ambiente de um clube eletrônico podem ser um cocktail poderoso e mais saudável para dançar o trance.Quando muitos povos dançam junto o trance, experimentam a sensação de comunidade. Esta atividade compartilhada, que é uma celebração da vida, faz a ligação com nosso lado humano. A consciência passa a ser única, o que nos ajuda a se aproximar um dos outros. Aceitação não apenas com o próximo, mas também de nós mesmos.A experiência de dançar o trance é lembrada como a volta pra casa, uma terra maravilhosa onde todos fazem parte - um infinito, a consciência coletiva.


http://psyte.uol.com.br/redacao/materias/materia.asp?seq=355